quarta-feira, 27 de julho de 2011

Falta de sono ou Falta de você

Mais uma noite insone de pura tortura.
Eu poderia ler um livro, eu poderia escrever versos e pensamentos que se remetessem à suas inexistentes lembranças; eu poderia assistir a um filme, eu poderia ligar para alguém apenas para não me sentir sozinha e anuviada pelo seu rosto em meus pensamentos repetitivos. A verdade é que eu poderia fazer mil e uma coisas durante esse período onde o sono parece ser extinto, mas eu não quero fazer nada que possa me fazer esquecer de você por um minuto sequer. Pode ser que eu seja masoquista, pode ser que eu esteja me auto-torturando, mas a única coisa da qual eu não quero me esquecer nem por um milésimo de segundo, é de você e de tudo que te constitui como pessoa.
4h da madrugada, e meus pensamentos martelam caoticamente dentro da minha cabeça, fazendo as paredes do meu cérebro tremer de dor. Eu resisto à vontade de dormir, pois sei que logo que deitar, a dor aumentará de forma não-razoável, e eu não terei você comigo para ajudar a acalmar essa tempestade que é tamanha. Minhas reflexões são todas relacionadas ao que poderia ser se você estivesse comigo, e ao deitar na cama, minhas reflexões se solidificam juntamente as lágrimas imprudentes que ensopam o meu travesseiro. Deixo que as lágrimas escorram, na esperança de que ao se libertarem, eu ficarei livre de algum peso por dentro, mas o engano é tremendo.
Se você estivesse comigo, eu estaria te abraçando com a cabeça encostada em seu peito, enquanto as lágrimas que agora correm pelo meu rosto estariam todas guardadas, pois não haveria motivos quaisquer para choro; eu estaria sentindo teu perfume, e você estaria acariciando meus cabelos daquela maneira que eu sei que você faz. Estaríamos conversando, e mesmo que existisse a ausência de palavras, o silêncio seria o nosso conforto, pois saberíamos que tínhamos um ao outro para o que quer que acontecesse. Se você estivesse comigo, meus "Eu te amo" seriam freqüentes, mesmo que não fossem verbalizados, pois meu amor por você ultrapassaria todas as barreiras verbais. Se você estivesse comigo, nada mais me faltaria, e eu estaria finalmente me sentindo a pessoa mais completa do mundo.
Acordo de meus devaneios, e o sono não chega, por mais que eu clame por ele. Eu abraço os cobertores como se fosse você que estivesse comigo, respiro profundamente como se eu estivesse sentindo o teu perfume ali - mesmo que só se sinta o cheiro da água salgada dos meus lençóis ensopados de lágrimas -, tento dormir para que quando eu durma, consiga sonhar com você. Mas não consigo, e meus pensamentos seguem com seu curso torturante, enquanto eu me perco entre o bom e o ruim; lembrar de você é a coisa mais maravilhosa da minha vida, no entanto a sua lembrança faz com que sua ausência seja mais aparente, e a sua ausência dói. O espaço ao meu lado na cama, chama pelo teu nome, chama pelo teu corpo.
O dia raia, o sol se põe e eu continuo deitada ali, daquele mesmo jeito, sem me mexer um centímetro, sem ter dormido uma hora sequer. A minha esperança era de que assim que o dia nascesse, eu me libertasse da dor, e então que você repentinamente e magicamente aparecesse ali, ao meu lado, dizendo que me ama com o olhar. Para a minha surpresa que não era tanta, você não se materializou ali, e eu continuei na frustração de não ter você, de não ter dormido, de não ter sonhado, e de ter ficado acordada o tempo todo frente a frente com a realidade. A única coisa que eu poderia e deveria fazer agora, seria me habituar à essas noites mal-dormidas (ou não-dormidas) que me atingiam com freqüência, assim como a sua ausência. Não tenho o conhecimento do porquê de ser exatamente assim, dessa maneira extremamente confusa, mas por alguma razão muito desconhecida, a vida parece zombar de mim com maestria. E eu continuo aqui... continuo aqui.

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