quarta-feira, 27 de julho de 2011

Pobres Olhos Negros

Fantasmas perseguiam-lhe e a garotinha de cabelos louros e olhos negros corria, tentando encontrar os comandos para os seus músculos, que há muito tempo estavam paralisados. Seu coração relutava em bater, e todas as suas forças lutavam por motivos contrários do que a situação pedia: Ela queria desistir.
De maneira desesperada ela adentrava a floresta, tomando cuidado para que árvores e arbustos não fossem atingidos por sua passagem acelerada, e ela cantarolava aquela canção que lhe fora ensinada. Ela desejava que com aquela canção sobre amores e flores, os fantasmas se afastassem em respeito à alegria da letra, mas a letra não condizia com o estado de espírito da garotinha.
Depois de ter sido libertada pelos fantasmas, ela se sentiu extremamente alegre por ter sido retirada daquele labirinto congelado, mas logo que viu os donos de sua liberdade, desejou não ter sido solta. A garotinha corria da mesma maneira em que correu por aquele labirinto durante anos e anos a fio - ou seriam dias? -, tentando encontrar sua mente, para que essa a obedecesse também.
A perseguição foi descontrolada e amargurada, já que os flutuadores não deixavam de proclamar maldições infinitas. A garotinha não conseguia encontrar a saída daquela floresta, e a cada volta que dava, sentia-se mais perdida que antes.
Caiu em desgraça num buraco profundo, e os fantasmas agarraram-lhe a carne e os ossos. Os animais que estavam por perto viram pequenos pedaços de músculos e ossos, e ouviram também o som de um coração sendo devorado por dentes silenciosos. A garotinha vivia presa dentre mandíbulas fantasmagóricas daqueles que a levaram para o lado sombrio, e a garotinha que já não era tão garota assim, temia que a morte nunca lhe chegasse. Mesmo com seu corpo destruído, sua mente trabalhava sem que nada de bom lhe fosse acrescentado.
"Maldito foi o dia em que achei que podia ser livre", pensou a garotinha. Pobre garota de cabelos louros e olhos negros que agora existia em desistência. Pobre garotinha.

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