quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sangre

Sangre meus ouvidos, sangre meus olhos, sangre minha boca.
Das cenas mais mórbidas e repetitivas meus olhos já se cansam e pedem clemência. Querem desistir dessa vida, querem uma nova partida.
Das músicas e das vozes meus ouvidos já se cansam também. As palavras ácidas já não são divertimento, e tampouco aquelas brigas. Os ouvidos querem uma saída.
Das palavras contidas minha boca se cansa. Os dizeres contidos e exprimidos na garganta gritam lá dentro pedindo passagem para os lábios, que fechados mantêm-se a todo custo. Os lábios querem liberdade, querem permissão para revelar aqueles segredos mais cinzentos.
Quero que sangre, quero que exploda, quero que tudo se renove. Quero uma água ardente para estes olhos, para que perante a cegueira consigam ver de uma perspectiva diferente e dita impossível. Quero que a mesma água ardente adentre meus ouvidos e os tape; os tape para que apenas os gritos reprimidos dos pensamentos seja a trilha sonora da cabeça. Quero que com a água ardente os lábios se descolem, e assim decolem todas as juras que não foram juradas; todas as promessas que não foram proclamadas e todas as decepções que estão ocultadas.
Quero que todos os sapos engolidos se transformem em borboletas em meu estômago, e que a razão para isso seja um amor. Quero apenas que sangre e que a ferida se feche. Quero que a cicatriz fique, mas que a dor se vá. Sangre.

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