quarta-feira, 27 de julho de 2011

Desejo

Eu olhei naqueles olhos, no fundo daqueles estranhos olhos. Minha busca foi árdua e inútil, já que você não encontrava-se lá de maneira alguma. Eu respirei fundo e senti aquele doce perfume, aquele perfume que intoxicou meu sistema. Foi uma pena porque não era o seu cheiro. Ouvi aquela voz, e me senti alegre até o momento em que pude perceber que não ouvia de maneira alguma o teu timbre. Pude sentir o teu toque ora gentil ora brutal contra a minha pele, e quase entrei em êxtase antes de perceber que não eram as tuas mãos contra o meu corpo. Me senti cada vez mais vazia em cada frustração que meu corpo e minha alma sofreram. Tua presença é a tua falta e eu já não sei conciliar estas duas coisas que ferem meu desejo.
Sinto as paredes do meu lar se fecharem contra mim ao mesmo tempo em que sinto aumentar este abismo que me pertence. Não vejo mais a esperança e tampouco me resta alguma fé. O que antes era um dourado cintilante cobrindo minha visão, agora se tornou um cinza agourento que gruda em meu cérebro e em meu peito. Minhas pernas travaram e nem dobrar os joelhos para fazer uma oração desesperada está sendo possível. Tudo que eu gostaria de ter era suas mãos nas minhas, teus olhos nos meus, teu perfume contrastando com meu cheiro e sua voz sussurrando seus desejos em meus ouvidos, mergulhando em meu âmago. Gostaria de que a esperança reinasse em mim e que pelo menos em uma vez, meus desejos não ficassem apenas na imaginação. Uma vez, uma única vez eu queria ter a minha fome de vida saciada.

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