quarta-feira, 27 de julho de 2011

Não

Durante aquele momento que parecia interminável, a garota olhava-se no espelho e o que enxergava nele era o reflexo de uma expressão desamparada. Seus olhos agora secos de lágrimas conservavam uma cor avermelhada e não estavam pouco inchados; ela tivera uma noite daquelas em sua cama.
Chorara sozinha debaixo dos cobertores e os soluços eram abafados pelos travesseiros que colocara por cima de sua cabeça. As lágrimas grossas e pesadas permaneciam rolando pela sua face, mesmo que ela tentasse se conter. Mesmo agora, que se olhava claramente e via o que estava de errado, ela mal conseguia evitar por muito tempo que sua alma continuasse organizada.
As mãos sobre o peito ficavam durante uma boa parte do tempo, pois ela tentava evitar que as partes de seu coração já despedaçado, fugissem. Ela não queria perder a sua essência ácida, afinal. "É apenas uma fase, isso vai passar", dizia para si mesma, numa fraca tentativa de convencer-se. Mas ela sabia que não iria passar. E não passou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário